A capacidade de atrair cobras

Apaixonei-me.
Nem fui eu que comecei...(será?)
Foi ela quem começou, e daí, tropecei.

Caí nas suas manhas,
O veneno do seu secretismo,
Influenciou meu machismo.
Agora estou morto de vergonhas.

Penso nela tanto,
Tipo vela que se apaga, mas acende novamente.

Expetativas crio tantas,
Esses erros são incometíveis na paixão,
Porém, ando a cometê-los...cedi à ilusão.

Tudo indica que a cobra deseja...
Fazer-me acreditar que nada deseja.

Deu um passo misterioso,
Despertou a minha curiosidade,
Deturpando a imagem desta surrealidade.

Ah, se eu pudesse descobrir sua identidade.
Seria mais fácil lidar com a calma,
Poderia conversar de alma pra alma,
Em vez de ficar no silêncio da calamidade.

Que calamidade?
De não conseguir soltar a vontade que tenho,
De enveredar-me nesse desejo venenoso,
Permanecendo nele, sem receios?

Não sei. Sei não. Desconheço o que quero.

Apenas me contaram que, se for ela a tal mulher,
É uma cobra, e usurpadora sentimental,
Prontíssima em fazer os outros se apaixonarem,
Sem a dita cuja se apaixonar.

Tenho medo disso, pois estou gostando duma suposta serpente.

                       Lauro José Cardoso

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